quinta-feira, 24 de junho de 2010

A MÚSICA CRISTÃ NO TEMPO DA INDÚSTRIA FONOGRÁFICA



Vivemos um tempo de “ouvir” música. Desde o final do século XIX quando foi realizado as primeiras gravações, o desenvolvimento tecnológico não parou mais de crescer, nos trouxe do fonógrafo, passando pelo gramofone e chegando ao compact disc. Atualmente outros formatos de registro de áudio surgiram, como MP3, e ainda outros novos formatos de armazenamento de sons gravados estão surgindo.

Vivemos numa cultura de ouvir música. E dentro deste contexto surgem as estéticas do ouvinte, ou seja, como o ser humano ouve, e se relaciona com a música ouvida. A fonografia trouxe para a humanidade uma nova perspectiva, de poder ouvir uma música após sua execução. Ou seja aquilo que é tão óbvio para nosso tempo ( ouvir um CD ou MP3 ) não era possível até o inicio do Sec. XX . Pouco mais de um século depois de se inventar “grava para ouvir”, a Fonografia trouxeram mudanças relevantes de como o ouvinte se relaciona com a música, ou seja, a “Estética do Ouvinte”.

No “tempo da música gravada” olhando de uma perspectiva “otimista” isso representou maior democratização de acesso a música , que era restrita a uma grupo menor , mais seleto de ouvinte da música “ao Vivo”. A fonografia proporciona então algo revolucionário : a possibilidade de “Apreciar” música em diversas ambiências,em casa, no automóvel, andamento pelas ruas, em “qualquer lugar onde o homem pode estar”. A Fonografia rompe então com dois aspectos que “aprisionavam” a “música ao vivo”: O tempo, e o espaço geográfico determinante. O tempo, porque diferente da música “ao Vivo” se pode ouvir um fonograma a qualquer tempo, à disposição do ouvinte. O espaço geográfico porque não precisa estar no espaço físico onde os músicos estão produzindo música para se ouvir música, pode-se ouvir onde o ouvinte está.

Cria-se então uma cultura do “ouvinte”. Diante disto, num mundo capitalista, onde o consumo é a sua base de sustentação, surge também uma indústria para esse fim. Para essa indústria a música se torna um produto simbólico, tratada como mercadoria de consumo pelo capitalismo. Como efeito, o ouvinte passa a ser alvo da chamada “Indústria Cultural,” que passa a explorar essa cultura do ouvinte, ora interagindo com ela, ora interferindo e manipulando a “Estética do ouvinte”

As mudanças no conhecimento sempre polarizam a opinião pública para mais de uma direção. Um fato é certo, que a música no tempo da Fonografia, trouxe contribuições e distorções para o “universo musical”.

    1. A ESTÉTICA DO OUVINTE E ADORAÇÃO A DEUS

A igreja, e a vida Cristã, recebeu toda essa influência histórico-sócio-econômica, com grande intensidade. A nossa historicidade musical é resultado da influência do Pensamento ocidental, bem como sua cultura em particular. No âmbito da música Cristã, compreende-se que a função da música é primordialmente para adoração e louvor de Deus, a ele pertence Poder e Glória, Único digno de Adoração. Apoc 4:11 Digno és, Senhor, de receber glória, e honra, e poder; porque tu criaste todas as coisas, e por tua vontade são e foram criadas.

Como dito anteriormente que a mudança de conhecimento produz opiniões diversas,um dos questionamentos advindos dessa mudança da “música ao vivo” para a “Estética do ouvinte”é: Pode-se substituir a manifestação musical para Adoração por uma gravação.

A resposta Biblica para este questionamento é clara e enfática. A adoração é verbal, e pessoal,produto dos lábios que declaram, confessam a Deus sua Glória devida. Como Sacrifício de Louvor. Heb. 13:15 ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome.

Portanto a Adoração é produto de quem produz o louvor ( que canta, executa instrumentos musicais) e não de quem ouve, ou seja,a “estética do ouvinte”. ( Estética do ouvinte: a beleza ou não do som para o ouvinte) Numa compreensão óbvia, se a adoração é produto de quem louva e não de quem ouve, então a produção fonográfica, a priori não é típica para o ouvinte identificar-se como adorador. Ou seja, o ato de ouvir música, mesmo com conteúdo Divino,não é um ato de adoração a Deus.

Respondido o questionamento levantado, surge outro em desdobramento da questão. Afirmamos que na perspectiva espiritual da adoração, o ato de “ouvir” uma gravação , ou fonograma não adora a Deus. Ouvir em primeiro plano não adora, porém pode em segundo plano pode contribuir para a vida cristã.

Como citado anteriormente, um dos aspectos contribuitivos para a vida cristã que um fonograma pode proporcionar, é justamente o benefício de se poder ouvir uma musica a qualquer tempo, à disposição do ouvinte. É óbvio, partindo da compreensão que a música é bem-vinda aos nossos ouvidos, ou seja, existe uma relação prazerosa no ato de ouvir.

No aspecto espiritual da vida cristã, podemos ser edificados ouvindo música. A música com conteúdo Divino pode fazer-nos meditar em Deus e seus preceitos, de ocupar as mentes com coisas “ lá de Cima” como diz o apóstolo Paulo em Col.3:2 “Pensai nas coisas que são de cima, e não nas que são da terra”. Para tal , compreendemos que o conteúdo de uma melodia, que vise a edificação deve nos elevar a Deus, meditar em suas promessas, seus atributos, na adoração a Deus. A música pode ocupar as nossas mente com as coisas de Deus.

Neste aspecto é inegável a contribuição de um fonograma para a vida Cristã. E não somente este. Se um ouvinte ouve palavras edificantes, isto pode soar como um estimulador na Adoração, ou seja, ouvir músicas estimula a prática do canto. Veja então, que uma “música gravada” com conteúdo que edifica o ouvinte também pode estimulá-lo a adoração. Isto é confessar, declarar, prestar culto a Deus. Não falo aqui de tornar um “fã” repetidor da gravação de um artista predileto. Isto é abominável. Falo sim, de um verdadeiro estímulo espiritual, que uma melodia “consagrada a Deus” verdadeiramente pode promover. Reconhecemos também, que pode-se repetir a música que outro compôs, não se tornando “fã”, mas, envolvendo com a letra o que se canta ( apropriar-se da letra, conteúdo) e portar-se como adorador diante de Deus. Isto é óbvio, pois já sabemos que nem todos os filhos de Deus serão compositores, mas todos deverão ser Adoradores. Salmo 150:1 Tudo quanto tem folego louve ao SENHOR. Louvai ao SENHOR

Outro fato também, dentro desses parâmetros da estética do ouvinte atual, que ouvir músicas novas estimular o hábito de cantar . É notável na igreja,o interesse por aqueles que cantam no louvor dos cultos, em buscar músicas novas , e muitos dessas buscas passam pelas músicas gravadas, uma vez que é muito prático. Neste processo de renovação do louvor na igreja local percebemos que o ouvir músicas novas também “estimula” o hábito de cantar. A palavra de Deus, no livro de Salmo 149. 2 incentiva-nos a buscar um cântico novo para adoração. Cantar um cântico novo é compor mais uma vez para o Senhor. É renovar a adoração, nossa sincera manifestação de gratidão,reconhecendo Deus como Soberano e Senhor da nossa vida.

    1. A IGREJA NO TEMPO DA FONOGRAFIA

Por outro lado o inimigo de Deus não descansa em obstruir aquilo que edifica . Satanás luta para receber a glória que é destinado a Deus. Qualificado como Pai da mentira, ele tem distorcido,alterado,enganado muitos através da música. Precisamos admitir que a música tem sido um terreno de batalhas espirituais.

Não é difícil ver o que o inimigo de Deus está fazendo nesta área, basta observar que nossa atualidade é marcada por uma indústria fonográfica dita “evangélica” que tem crescido imensamente e se desvinculando de um louvor que promove edificação para uma música de entretenimento e que escraviza o ouvinte em fãs.

Vimos no movimento chamado “gospel” uma estrutura idêntica ao da indústria fonográfica secular,desde sua concepção , ou seja,onde desde a composição, o estilo,os arranjos e métodos,produção, distribuição , massificação de seus “artistas”da produção fonográfica tornou-se comercial, ou seja: fama,sucesso, fãs-clubes, antes paradigmas de artistas mundanos, agora presente neste cenário chamado “evangélico.” Assistimos perplexos a uma sincretização na música evangélica que hoje ocupa as mídias, seja escrita, televisiva ou falada.

Temos conhecimento que a palavra de Deus afirma que nos últimos dias a apostasia será uma crescente . O esfriamento, a mundanização, ou secularização da música sacra é com certeza um desses sintomas. Não se pode parar o que já está profetizado, mas, quem está vivendo incontaminado deve-se manter a fidelidade, firme nos propósitos devidos à igreja de Cristo.

    1. MÚSICA E COMPOSIÇÃO: NO TEMPO DA FONOGRAFIA

Se, por um lado vimos mais escândalos, do que verdadeiros adoradores, e uma massa crescente de adeptos desse movimento,sabemos que muitos cristãos zelosos não aceitam essa tendência desenfreada de produção fonográfica que mais se identifica como entretenimento comercial da música, que deveria ser para edificar-nos.

Diante deste quadro que nos apresenta, surge necessidade de contrapor esta sombria realidade. É diante desta perspectiva que propomos de maneira desafiadora, consciente, promover musica cristã na atualidade, que adore a Deus e edifique os irmãos.

O projeto Asafe Ministério de Música, vem de encontro com uma necessidade presente, e também futura. A geração presente está, e a futura conviverá com um terreno fértil da sincretização religiosa, ecumenismo,e um cristianismo “romântico” e consumista. Propor uma música que crie uma ruptura com esta tendência é um grande desafio . Precisamos construir um caminho,uma alternativa que difere deste modelo escravizador, satânico e que escandaliza a igreja de Cristo.

Através de um compromisso diante de Deus, cremos que é possível construir uma estética musical,que possa utilizar-se de uma ética musical, ainda que atualizadas, na sua forma,porém mantendo-se aos preceitos Divinos, desde sua concepção, produção, difusão, criando ministério e não comércio da música cristã.

Pr. Antonio Geraldo Pinto